terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Flávio Dino usa governo para perseguir adversários

   A cada dia a “máscara” de leão raivoso 
   vai se ajustando melhor
Por: JOSÉ LINHARES Jr [11/01/2016] - No primeiro dia de 2015 eu estava na posse de Flávio Dino. Vi a assinaturas de algumas medidas, assisti ao discurso e, como boa parte dos maranhenses, acreditei que os tempos seriam outros. Mas, o que mais me chamou a atenção foi a promessa de que os “leões” não iriam mais se alimentar da carne do povo maranhense e nem rugir contra os indefesos.

Vi aquele discurso como o prenúncio de uma nova manhã, um tempo em que a política deixasse de ser fim e se tornasse apenas o meio para um estado melhor. Um estado livre em que as pessoas fossem julgadas por seu caráter, e não perseguidas por suas opiniões políticas. É… eu estava errado.

Os “leões” do governo continuam a rugir e estão mais dispostos a cravar os dentes na carne dos insubordinados do que nunca. Flávio Dino não domou as feras, ele as deixou mais vorazes.

Semanas atrás em uma pequena manifestação contra a onda de corrupção no governo Dilma Rousseff, um dos manifestantes usou a fala para cobrar respeito do governador Flávio Dino. Disse que a maioria dos que participavam do protesto foram eleitores do governador e que não era justo da parte dele chamá-los de golpistas por defenderem o impeachment da presidente, que é aliada do governador.

Um discurso simples, sem qualquer tom de agressividade e totalmente dentro dos padrões democráticos. Pois bem, semanas depois o doutor Allan Garcês foi demitido de suas funções no governo do estado. Segundo o próprio, foi demitido pelo discurso. Os “leões” o vitimaram.

Lotado em Coroatá, foi transferido sumariamente para outra cidade por manter uma boa relação com a prefeita da cidade, Teresa Murad. Um crime passível de severas penas na nova versão do Código de Hamurabi que impera no funcionalismo público estadual maranhense.

O governo pode não ser eficiente em combater o crime no interior, não impedir a onda de assassinatos e explosões de caixas eletrônicos. Mas, pelo menos na situação de Alex, foi de uma eficiência exemplar. Transferido para uma cidade distante, humilhado pelo governo que deveria lhe dar aporte, Alex Aragão sentiu o golpe.

Na última sexta (8) Alex sucumbiu e com um tiro na boca corou a ação dos “leões”. Caía mais um insubordinado que cometeu o hediondo crime de ser amigo de um adversário político do grupo do governador.

Além de Alex, outras 64 mil pessoas vão tendo as carnes dilaceradas pelos “leões” que Flávio Dino jurou domesticar. São os moradores de Coroatá.

O hospital macro regional vai sendo abandonado ais poucos. Faltam medicamentos, médicos e enfermeiros. As escolas estaduais sofrem com o desamparo do governo.  Até a conta de luz do Viva Cidadão foi cortada por falta de pagamento. Milhares de prejudicados que cometeram o crime de viver em uma cidade administrada por um adversário do governador.

No primeiro dia de 2015 eu estava na posse de Flávio Dino. Vi a assinaturas de algumas medidas, assisti ao discurso e, como boa parte dos maranhenses, presenciei um festival de mentiras.